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Eumenes

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Vita brevis anima longa • Retired Glass Bead Gamer

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Já que esse post virou o assunto da Bolha hoje, fiquei pensando um pouco sobre a questão cultural da "direita" hoje. Dos últimos 10 anos pra cá, a direita é representada, entre boomers, pelo "Monster truck rally"; e entre jovens pelo Gamergate incel - duas culturas essencialmente Low Status. O resultado é que todos os espaços culturais sérios foram apropriados pela esquerda. Em algum momento, ser de esquerda virou sinônimo de ler livros, de ser bem-pensante e educado. O aspiracional virou exatamente a festa do vídeo do Daniel. Para entender um pouco das origens disso, vale voltar à análise que o Tom Wolfe faz em 'Radical Chic' - um longo ensaio sobre a festa organizada pelo Leonard Bernstein (compositor da Broadway) em homenagem aos Panteras Negras. Lendo o texto, fica claro que o movimento de esquerda nas elites tinha uma função de status claro: diferenciar a elite cultural/intelectual da elite econômica. Priests vs Merchants A boa notícia pra gente é que a classe comerciante hoje em dia não é necessariamente de direita como era há 50 anos atrás. 90% da população mundial vive basicamente numa era de pós-escassez e a esquerda virou a defensora do status quo econômico que é basicamente o social-liberalismo. O social-liberalismo é uma grande competição de slop. As grandes empresas produzem ou viabilizam slop e disputam entre si quem é melhor em vendê-lo. Mídia e advertising são os maiores negócios do mundo (essa é toda a fonte da receita do Google, Facebook, TikTok). Ao mesmo tempo, o dinheiro oriundo da taxação dessas empresas financia o welfare da população que usa seus produtos. É uma grande gincana sem significado. Nesse mundo de massificação extrema, a "contracultura" acaba sendo o luxo com discrição. A estética 'old money' que surgiu no TikTok é um prenúncio disso; grandes marcas como Channel e Hermés começaram a criar clubes de leitura e até comprar editoras. Podemos ter uma nova cultura de direita que seria right-wing coded? Essa festa que achei no TikTok dá a entender que sim. Mas precisamos pensar mais sobre isso: a "vitória cultural" da esquerda é um processo de décadas, talvez séculos, com algumas poucas exceções no meio do caminho como o Brasil dos anos 50. O século 20 estava repleto de grandes artistas e filósofos de direita, de Salvador Dali a Jorge Luís Borges - por que, então, virou consenso que essa classe é de esquerda? Como isso se tornou high status? Uma nova matriz cultural precisa ser imposta de cima pra baixo, inclusive para a militância de qualquer movimento político de direita. Esse é um dos projetos mais importantes dos próximos anos.

Já que esse post virou o assunto da Bolha hoje, fiquei pensando um pouco sobre a questão cultural da "direita" hoje. Dos últimos 10 anos pra cá, a direita é representada, entre boomers, pelo "Monster truck rally"; e entre jovens pelo Gamergate incel - duas culturas essencialmente Low Status. O resultado é que todos os espaços culturais sérios foram apropriados pela esquerda. Em algum momento, ser de esquerda virou sinônimo de ler livros, de ser bem-pensante e educado. O aspiracional virou exatamente a festa do vídeo do Daniel. Para entender um pouco das origens disso, vale voltar à análise que o Tom Wolfe faz em 'Radical Chic' - um longo ensaio sobre a festa organizada pelo Leonard Bernstein (compositor da Broadway) em homenagem aos Panteras Negras. Lendo o texto, fica claro que o movimento de esquerda nas elites tinha uma função de status claro: diferenciar a elite cultural/intelectual da elite econômica. Priests vs Merchants A boa notícia pra gente é que a classe comerciante hoje em dia não é necessariamente de direita como era há 50 anos atrás. 90% da população mundial vive basicamente numa era de pós-escassez e a esquerda virou a defensora do status quo econômico que é basicamente o social-liberalismo. O social-liberalismo é uma grande competição de slop. As grandes empresas produzem ou viabilizam slop e disputam entre si quem é melhor em vendê-lo. Mídia e advertising são os maiores negócios do mundo (essa é toda a fonte da receita do Google, Facebook, TikTok). Ao mesmo tempo, o dinheiro oriundo da taxação dessas empresas financia o welfare da população que usa seus produtos. É uma grande gincana sem significado. Nesse mundo de massificação extrema, a "contracultura" acaba sendo o luxo com discrição. A estética 'old money' que surgiu no TikTok é um prenúncio disso; grandes marcas como Channel e Hermés começaram a criar clubes de leitura e até comprar editoras. Podemos ter uma nova cultura de direita que seria right-wing coded? Essa festa que achei no TikTok dá a entender que sim. Mas precisamos pensar mais sobre isso: a "vitória cultural" da esquerda é um processo de décadas, talvez séculos, com algumas poucas exceções no meio do caminho como o Brasil dos anos 50. O século 20 estava repleto de grandes artistas e filósofos de direita, de Salvador Dali a Jorge Luís Borges - por que, então, virou consenso que essa classe é de esquerda? Como isso se tornou high status? Uma nova matriz cultural precisa ser imposta de cima pra baixo, inclusive para a militância de qualquer movimento político de direita. Esse é um dos projetos mais importantes dos próximos anos.

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