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Luís Avelãs

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Jornalista @Record_Portugal / comentador NBA @SportTVPortugal

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Os adeptos de Boston pedem o prémio de jogador com maior evolução na época da NBA para o Quetão🔥 . Será improvável, mas a pressão dos Celtics pode ajudar. E os portugueses? Também vão dar uma força ao rapaz?

Os adeptos de Boston pedem o prémio de jogador com maior evolução na época da NBA para o Quetão🔥 . Será improvável, mas a pressão dos Celtics pode ajudar. E os portugueses? Também vão dar uma força ao rapaz?

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Já temos os quatro semi-finalistas do Mundial: a França (provavelmente a melhor seleção da atualidade), a Espanha (talvez a equipa com a identidade mais definida), a Inglaterra (com Kane e Bellingham em alta voltaram a sonhar) e a Argentina. Sem desprimor para as outras, gostava de chamar a atenção para algumas das especificidades dos campeões em título: - Quando se joga bem (fazem-no várias vezes) é normal ganhar. Mais complicado é festejar quando se joga apenas 'assim assim' ou mesmo mal. A Argentina consegue isso como poucos. Para eles, ganhar é que conta. Como, desde que se vença, é indiferente. - Messi pode correr pouco, ignorar as tarefas defensivas ou até falhar penáltis. Ninguém se preocupa. Colegas, técnicos e adeptos aguardam, serenamente, que apareça para mostrar o que ainda é capaz de fazer. E não é pouco. E entre os adeptos ninguém discute, mesmo sabendo das tremendas rivalidades clubísticas, se Messi é melhor ou pior que Maradona. O que ambos deram ao país é que é relevante. E todos agradecem isso. - Titulares ou suplentes, incluindo os que praticamente não jogam, estão sempre na mesma página. A forma como todos lutam e depois festejam em comunhão com os adeptos é notável. O sucesso coletivo só é possível quando os grupos são coesos. Os argentinos, ao serviço dos seus clubes, pegam-se uns com os outros, mas na Seleção nem um hesita em defender o colega do lado, de todas as formas e feitios. É o país que está em causa (imagino como será o jogo diante dos ‘inimigos’ ingleses). - Os adeptos argentinos são exigentes, mas quando a sua equipa está num Mundial, não há assobios nos jogos. Mesmo que estejam longe de jogar bem (como se viu com Cabo Verde, Egito ou Suíça), a única coisa que importa é tentar empurrar a equipa para a frente. E no final… festa. - Há poucos países em que representar a nação seja algo tão importante. No futebol e em todas as outras modalidades, os argentinos não conhecem nada mais valioso do que jogar pelo seu país. É assim nos duelos pouco importantes, imaginem o que é num Mundial. - Para os adeptos é igual. Como é que um país com inúmeros problemas tem sempre tanto apoio nas bancadas? Muitos, longe de serem ricos, andam 4 anos a juntar dinheiro para ir ao Mundial. É quase um objetivo de vida. E se quando chega a data falta algo, não há problema em vender alguns bens. Nisto são iguais aos brasileiros. E não deixam de viajar se não tiverem bilhetes. Vão na mesma. Estar lá é o fulcral. -É difícil perceber esta lógica, eu sei, mas tive a oportunidade de testemunhar isto no Mundial de 1994, também nos Estados Unidos. E nunca me esquecerei de ver os jornalistas argentinos a chorar depois de anunciado o doping de Maradona. Como também recordo bem o que vivi no Mundial de voleibol na Argentina, em 2002. Os adeptos conseguem criar nos pavilhões o ambiente dos estádios. Gregos, sérvios e turcos são parecidos, mas os argentinos colocam a fasquia bem alta e isso é uma força incrível para as suas equipas e atletas. Por isso (e pelo talento, claro) são competitivos em praticamente tudo, do futebol ao basquetebol, do hóquei em patins ao voleibol, passando pelo râguebi, ténis, desportos de combate ou motorizados. Não sei quem vai ganhar o Mundial e, sinceramente, pouco me importa, já que Portugal ficou pelo caminho. Mas, ganhando este ou aquele, gostava que um dia os portugueses, atletas e adeptos, encarassem a representação nacional assim: a discussão, as opiniões contrárias, fazem todo o sentido, mas quando o jogo começa é para ganhar. E se isso acontece, tudo o resto pouco ou nada importa. Alguém ficou triste por Portugal, em 2016, ter ganho o Europeu depois de três empates na fase inicial frente a equipas de qualidade sofrível? Alguém retira qualidade ao título por causa das exibições menos conseguidas, pela necessidade de jogar prolongamentos ou ir aos penáltis? Só alguns se recordam disso. Agora, do caneco ninguém se esquece.

Luís Avelãs

26,343 görüntüleme • 3 ay önce

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