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🚨DANIELA LIMA pergunta a Lula sobre encontro com Vorcaro : Lula:🗣️" ele veio conversar comigo, eu chamei o Galipo. Chamei o Galipo, acho que chamei o Rui Costa, que é da Bahia, que conhecia ele. E ele então me contou da perseguição que ele estava sofrendo, que ele estava...

180,433 views • 6 months ago •via X (Twitter)

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Na entrevista à Daniela Lima nesta quinta- feira, 5 de fevereiro, Lula descreve com naturalidade que recebeu Daniel Vorcaro em Brasília, ouviu um relato de “perseguição” e, diante disso, fez questão de tranquilizá-lo, afirmando que “a política não entraria na investigação” e que tudo ficaria a cargo do Banco Central . Um presidente da República não pode se colocar como instância de acolhimento, escuta e tranquilização pessoal de alguém diretamente envolvido em um caso sensível que está - ou estará - sob apuração técnica. Ainda que Lula diga que não houve interferência, o simples ato de receber o interessado, ouvir sua versão de “perseguição”, mobilizar ministros e auxiliares e verbalizar garantias sobre a condução da investigação, já fere princípios básicos de imparcialidade, aparência de neutralidade e separação entre política e fiscalização. O presidente da República não deve receber investigados ou partes interessadas, comentar o mérito e transmitir mensagens de “tranquilidade”. Quando Lula diz que “a política não entrará” e que tudo será técnico, ele tenta usar o Banco Central do Brasil como anteparo retórico para normalizar uma conduta que já foi inadequada antes mesmo de qualquer decisão técnica. O problema não é o que o Banco Central fará, o problema é o que o presidente fez antes disso. Lula ao relatar que ouviu que havia “gente interessada em derrubar ele”, absorve a narrativa da vítima, legitima subjetivamente essa versão e a repete publicamente. Isso contamina o ambiente institucional, ainda que nenhuma caneta seja usada depois. É o presidente da República sugerindo que uma apuração pode não ser apenas técnica, mas motivada por interesses ocultos - enquanto afirma, paradoxalmente, que tudo será técnico. Essa contradição não é ingênua, ela serve para normalizar o anormal: o trânsito livre entre poder político e poder financeiro, desde que embalado em discurso de legalidade. Em democracias maduras, presidentes se afastam de casos assim. No Brasil de Lula, o presidente entra em cena - e depois pede que todos acreditem que sua presença não significou nada. Significou, sim.

Karina Michelin

11,562 views • 6 months ago