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O Brasil não é só pobre. É moralmente miserável. Alexandre de Moraes, depois de mandar Bolsonaro para a Papudinha, diz em universidade de Direito: “Eu me contive hoje, já fiz o que tinha de fazer.” E uma faculdade de Direito aplaude. Forma “operadores do direito” reverenciando quem rasgou o...

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Há falas que não são apenas comentários políticos. São registros históricos. As palavras de Silvio Navarro é um desses momentos em que o jornalismo deixa de narrar o fato e passa a expor a falência moral de um sistema inteiro. O que se viu não foi a transferência de um preso. Foi a celebração pública da arbitrariedade. Jovens formandos em Direito, futuros juízes, promotores e defensores, aplaudindo um ministro que normalizou a perseguição, relativizou a Constituição e transformou a exceção em método. Não aplaudiram uma decisão. Aplaudiram o abuso. Aplaudiram o mal exemplo. Aplaudiram a ideia de que a lei pode ser torcida quando o alvo é “o inimigo certo”. E isso é mais grave do que qualquer discurso de palanque. Porque quando a plateia que bate palmas é formada por quem deveria defender garantias fundamentais, o problema já não está apenas no topo do poder. Está na base que o sustenta. .Silvio toca num ponto que muitos fingem não ver: barulho incessante como instrumento de tortura não é metáfora. É método histórico. É técnica documentada. É prática de regimes que aplaudem confissões arrancadas pelo desgaste físico e psicológico. Quando um ex-presidente, com comorbidades conhecidas, precisa de abafador de ouvido para suportar o dia, já não estamos falando de prisão. Estamos falando de crueldade institucionalizada. E enquanto isso, a hipocrisia grita. Lula teve cela gourmet, porta aberta, entrevistas, visitas políticas, romance, funcionário particular e tratamento de hotel. Collor, condenado por corrupção, recebeu prisão humanitária por decisão do mesmo ministro que hoje nega esse direito a Bolsonaro. Dois pesos, duas medidas, uma caneta só. Mas o trecho mais revelador não é sobre Bolsonaro. É sobre o Congresso ausente. Recesso, férias, silêncio. Enquanto o país vive um terremoto moral envolvendo Banco Master, STF, PCC, INSS, família presidencial, CPI engavetada e uma teia que já não dá para fingir que é coincidência. Não é mistura. É sistema. É tudo a mesma coisa. O aplauso daquela noite não foi espontâneo. Foi pedagógico. Ensinou aos futuros operadores do Direito que a lei é flexível quando o poder manda. Que a Constituição pode ser chutada se o aplauso vier depois. Que o Estado de Direito é negociável. E é isso que assusta. Não Bolsonaro preso. Não o barulho da cela. O que assusta é o som das palmas. Porque aquele ruído não se apaga com abafador. Ele ecoa por gerações. Créditos: Silvio Navarro

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