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O prefeito de SP, Ricardo Nunes, comentou a decisão de Moraes de prender Bolsonaro: “É uma decisão que estava tomada há muito tempo, antes mesmo do julgamento. Tem que ser respeitada, estamos num país democrático e devemos respeitar as instituições, mas já estava decidido.”

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As declarações de Ricardo Nunes sobre a prisão de Jair Bolsonaro revelam mais sobre ele do que sobre o ex-presidente. Ao comentar a situação, o prefeito afirmou que Bolsonaro vive “algo nunca visto”: tornozeleira eletrônica, Polícia Federal na porta e uma série de restrições incomuns até para criminosos monitorados. Disse ainda “imaginar a dificuldade emocional” - mas rapidamente correu para o conforto político do “não que isso justifique”, como quem tenta expressar empatia sem correr o risco de assumir posição. A entrevista atinge seu ápice quando Nunes comenta a decisão de Alexandre de Moraes: “a decisão já estava tomada há muito tempo… todo mundo sabia o que iria acontecer.” Essa confissão é escandalosa não apenas porque expõe o caráter pré-determinado do julgamento, mas porque, em seguida, Nunes complementa com a frase infame: “tem que ser respeitada.” Nunes reconhece a arbitrariedade, mas ajoelha-se diante dela. Denuncia a manipulação e, no mesmo fôlego, se rende ao sistema que descreve como previamente armado. É a contradição perfeita: ver a injustiça, mas preferir sobreviver a enfrentá-la. Questionado sobre 2026, o prefeito diz que não será candidato, sua prioridade declarada é trabalhar pela candidatura de Tarcísio de Freitas - seja ao governo ou à Presidência. Sua função, segundo ele mesmo, será “ajudar Tarcísio a ser eleito ou reeleito”. A entrevista de Nunes não é apenas uma análise sobre Bolsonaro, é um retrato fiel da elite política que domina o país: vê abusos, vê decisões pré-escritas, vê o colapso do devido processo legal - mas prefere chamar tudo isso de “democracia” para continuar respirando dentro do sistema. Ricardo Nunes não explica a crise institucional; ele a encarna. E segue o jogo.

Karina Michelin

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