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André Coelho Lima

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Alguém diga as coisas como elas são. O ridículo fica com cada um, a utilização da desgraça alheia para tentar manipular a opinião pública, promover a própria imagem ou colher benefícios eleitorais só tem um nome: execrável.

Alguém diga as coisas como elas são. O ridículo fica com cada um, a utilização da desgraça alheia para tentar manipular a opinião pública, promover a própria imagem ou colher benefícios eleitorais só tem um nome: execrável.

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Pode-se concordar ou discordar de Miguel Morgado, mas têm de se reconhecer os seus recursos intelectuais, de cultura e de conhecimento. No entanto, apesar de ser já de 20.agosto, só ontem cruzei com esta análise a propósito dos fogos deste Verão e da Festa do Pontal e das férias do PM. E fiquei na mais absoluta estupefação com o que ouvi. Miguel Morgado considera que "a comunhão da dor (que os políticos sentem com as pessoas cujas casas ardiam), é uma comunhão fingida", afirma mesmo que "a dor que os políticos manifestam pelo sofrimento do seu povo é uma dor fingida" e que "os primeiros-ministros são atores, atores que fingem sentir a dor daqueles que governam". Isto para poder concluir que apesar de, talvez, se devesse ter cancelado a Festa do Pontal, na verdade não teria feito a diferença porque a presença do PM do teatro de operações não era relevante. Como se o sentido de Estado e o dever de solidariedade e imahem de serviço que um político deve deter fossem apenas, como ele ali diz, "manobras mediáticas". Eu não sei a que políticos ele se refere, ou se este é uma espécie de padrão acerca da forma de se estar em política, mas eu, estarrecido com o que ouvi, estou o mais distante possível desta desumanização do ator político, desta robotização dos sentimentos, desta ideia (que segundo ele é indubitável) de que nenhum político sente a dor do seu povo, apenas finge senti-la para colher simpatias eleitorais. Fdx... Este mundo de faz de conta, de acting e de fingimentos que, segundo Miguel Morgado, é o que existe na realidade, é o grande responsável pelo justo afastamento do povo dos seus representantes. Que, se ciente disto mesmo, passa a dividir a sociedade em castas, separando os representantes dos seus representados, fazendo regressar as velhas classes sociais abolidas com a monarquia constitucional. Assim caem regimes. Esta perspetiva destrói o carisma, o humanismo e mesmo a convicção dos políticos como sendo reais e substantivos, substituindo-os por dor fingida e falsas empatias. Estou nos antípodas disto tudo! (dizer que a consideração intelectual que tenho por Miguel Morgado me impede de achar que fosse capaz de usar este argumentário apenas para defender o Governo; isso seria mau demais) Portanto, se este é o padrão, se esta é a camisa de varas onde encaixa o perfil-tipo do político então, efetivamente, eu não podia estar mais distante desse perfil. Quedo-me na condição de naïf da província. E não, não é hipocrisia nenhuma o que estou a dizer! É genuinamente a minha forma de ver o serviço público e a ocupação de funções que são superiores a nós próprios, que são representetivos de outros. Se está desajustada será porventura, aliás certamente, reveladora do mais absoluto desajuste da minha parte para poder ter perfil para o desempenho de quaisquer funções públicas. Seja.

André Coelho Lima

21,007 görüntüleme • 9 ay önce

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