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A diferença entre morrer e sobreviver é alguém se importar. É alguém parar. Parar o carro. Parar a caminhada. Parar a própria vida por alguns minutos. É não fingir que não viu. É não seguir em frente como se não fosse com a gente. Orelha foi uma vítima. Romênia,...

84,414 次观看 • 5 个月前 •via X (Twitter)

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Quinze anos depois do assassinato de Eliza Samudio, o goleiro Bruno reaparece em um podcast dizendo que “segurou o B.O.” e que não sabe o que aconteceu com os restos mortais. A fala chama atenção não apenas pelo conteúdo, mas pelo tom, mais uma vez, ele se coloca como alguém que teria sido forçado a carregar uma culpa, quase como vítima das circunstâncias. É justamente aí que mora o problema. Não se trata de “dois lados da história”. Não se trata de uma versão contra outra. A Justiça brasileira condenou Bruno pelo assassinato de Eliza Samudio, um crime brutal que deixou uma mulher morta e uma família marcada para sempre. O centro dessa história não é a trajetória dele, nem sua tentativa de reconstrução de imagem. O centro é um feminicídio. Quando alguém condenado por um crime dessa gravidade ganha espaço para “explicar o seu lado”, o debate público corre o risco de deslocar o foco da vítima para o agressor. Eliza não está aqui para dar entrevista. Não pode contar sua versão. Não pode se defender. Não pode reconstruir a própria narrativa. É legítimo que a sociedade discuta justiça, ressocialização e cumprimento de pena. Mas é perigoso normalizar discursos que relativizam responsabilidades ou sugerem que o condenado foi apenas alguém que “segurou” algo maior do que ele. Feminicídio não é mal-entendido, não é excesso emocional, não é azar. É violência extrema contra uma mulher. E nesse caso, só há um lado incontornável, o de uma vida interrompida. Bruno é um feminicida, não uma celebridade.

Beta Bastos

178,344 次观看 • 4 个月前