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Esse vídeo do William Bonner me causa náusea. Não é discordância - é repulsa. Mesmo numa conversa, aquele tom de superioridade moral permanece, a pose de isenção ensaiada, o sermão disfarçado de diálogo. No fim, soa menos como troca de ideias e mais como uma encenação cuidadosamente calibrada para...

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O senador Marcos do Val resolveu abrir a boca e, sem perceber, entregou um escândalo com gosto de tragicomédia. Em vídeo, contou que teve uma reunião secreta com o ministro Luiz Fux para ensinar o magistrado a “como votar” e escapar da famigerada Lei Magnitsky. Sim, aquele jeitinho brasileiro aplicado à geopolítica internacional: não se trata de interpretar a Constituição, mas de ensaiar uma performance para não cair na lista perversa dos Estados Unidos. Segundo o senador, bastaria Fux demonstrar uma discordância aqui e ali contra o próprio Supremo, e pronto: estaria blindado das sanções. Ou seja, a toga viraria figurino de teatro, e o voto, uma peça ensaiada para agradar plateia estrangeira. A cena é digna de roteiro: •Um senador se gabando de aconselhar secretamente um ministro do Supremo. Transparência e separação dos Poderes? Só se for no PowerPoint. •O foco da conversa não era defender o Brasil, mas proteger a reputação de Fux diante de Washington. A soberania nacional virou rodapé. •E Fux? Silêncio absoluto. Talvez esteja ensaiando a próxima fala, para não errar a deixa. Se isso não é uma paródia institucional, não sei o que é. A democracia vira palco, o Senado fornece o roteiro e o Supremo atua como se fosse elenco coadjuvante. O problema é que a plateia somos nós obrigados a assistir a esse teatro onde o ato principal é a rendição da soberania brasileira em troca de aplausos do Tio Sam. TRASTE PRESO

Beta Bastos

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